Segunda-feira, Novembro 23

You make it easier when life gets hard...


tocando no radinho:
lucky
composição: jason mraz
interpretação: jason mraz e colbie caillat


Acho que o que me faz acreditar que a vida pode ter algum sentido é o sabor requintado das surpresas sutis.
Bom é esperar e confirmar as coisas que já se mostravam interessantes e me surpreender com sensações e gestos que fazem as cores terem mais nuances. Minha paleta retomou muitos tons, posso afirmar.
Bom é conversar através dos olhos, inda mais nos dias em que nem as palavras dizem muito.
Bom é ter certeza que aquele abraço já pertencia aos meus dias. Bom ter vários desses ao longo do dia. Bom perceber que nem sempre nos enganamos com as pessoas e que aproximações como essa tem tempo certo pra acontecer.
Bom é dialogar e desfrutar da tranquilidade de ouvir e ser ouvida de forma bem completa.
Bom sentir paz, sintonia, alegria, aconchego...
Bom ter trilha sonora, ter sons próprios que saem pelas vozes.
Bom é perceber o belo nos detalhes.
Bom é brindar esse [re]encontro com samba da melhor qualidade e ainda me deliciar cantando ‘O bêbado e a equilibrista’ sob a observação do olhar mais expressivo e brilhante que vi nos últimos tempos.
Bom é esquecer o relógio, o lugar, as preocupações cotidianas e deixar que os minutos se tornem parte do que agora já é [doce] lembrança e [leve] esperança.
Bom é ter sensação de estar viva, de ter sangue quente nas veias.
Bom é ter uma gratidão sem tamanho e sentir que a recíproca é verdadeira.
Bom é não ter cobrança, peso, preocupação. É acreditar que realmente o que tiver de ser vai ser.
Bom é admitir que alguns clichês são a mais pura verdade. [nada é por acaso, não é baby?]
Melhor que tudo isso é saber que não foi um sonho, mesmo tendo todas as característica de um.



Quinta-feira, Outubro 15

O medo em minha vida nasceu muito depois...


tocando no radinho:
conversando no bar
composição: milton nascimento
interpretação: elis regina


Hoje, dia do professor.
Lembrei de alguns quando me dei conta que era 15 de outubro. Tive alguns bons, outros nem tanto, professores que marcaram demais, mas hoje quero falar da minha primeira professora.
Eu tinha 4 anos e fui estudar numa escolinha bem legal, ‘O Caracolzinho’.
Ahhhh a professora? Era minha irmã. Era engraçado, pois nem sabia como eu deveria chamá-la: de Fausta, de ‘tia’, de professora [...]. Era bem confuso pra minha cabecinha.
Essa minha ‘irmãe’, como costumo denomina-la, me ensinou desde pequena a colorir, lidar com papeis e me interessar por coisas educativas. Era muito bacana quando ela mimeografava aquelas folhas todas cheias de desenhos e palavras e sempre sobravam a mais pra mim. Me incentivou com muitas cores e formas, tanto que nem me lembro de tantas bonecas e sim de quebra-cabeças e brinquedos de montar.
Tinha muito orgulho de ser ‘irmã’ da professora, daquela que todo mundo queria ser aluno e que até hoje é abordada na rua como ‘Tia Fausta’ por pessoas da minha idade.
Sim, ela foi professora de amigos meus, das duas filhas, de amigos das filhas...
Hoje tenho orgulho da mulher que o tempo vem lapidando e transformando dia a dia em uma pessoa forte, que ainda sabe e ensina muito, que é a lembrança viva e presente de uma saudade boa, de ir pra escolinha de mãos dadas e de sempre querer crescer e seguir seus passos.
Hoje também já não sou mais menina, e já conversamos de igual pra igual, trocamos confidências e coisas sérias que a vida impõe, mas o carinho é o mesmo, o amor cresce e os vínculos existem desde antes do meu nascimento.
Só posso ser grata por ter perto uma pessoa tão querida por tantos e por poder partilhar minha vida [bem de perto] com a minha ‘primeira professora’...
Ela é de tudo um pouco: irmã, mãe, amiga, confidente, professora, incentivadora...
Um dos meus portos. O mais seguro deles.


Obrigada por tudo, 'Tia Fausta'!
Te amo de cor, di cuore. Do fundo do coração!


Link para vídeo da Elis Cantando a música do radinho. É de arrepiar...

Quinta-feira, Outubro 1

Eu acordo pra trabalhar, eu durmo pra trabalhar...

tocando no radinho:
capitão de indústria
composição: marcos valle / paulo sérgio valle
interpretação: paralamas

Ela estava no trabalho, disponível e disposta, até que uma avalanche de questões sem respostas e de coisas sem nexo a afligiu. Ficou sem saber como agir: não sabia se xingava os superiores, se desligava o computador e saía vagando pela rua do centro, se dava de louca e deixava baixar uma baiana arretada em seu corpo. Brincou de estátua por alguns minutos, sentiu o sangue ferver, respirou fundo, colocou uma bossa e fez a rima.

É nessas horas que surgem os questionamentos sobre o que vale a pena na vida e até sobre o que é a vida, sobre os sentidos e os valores.

Enfim, lá mesmo ficou, em frente ao mesmo monitor e digitando no mesmo teclado, após se convencer que a realidade é essa e que lidar com o ego alheio não é das tarefas mais fáceis.

É bem como diz uma parte dessa música do radinho: É quando eu me encontro perdido nas coisas que eu criei, e eu não sei...